A libra esterlina inicia a nova semana em uma situação ainda mais preocupante do que a do euro. Enquanto o euro perdeu cerca de 150–160 pontos, a libra despencou aproximadamente 300 pontos.
É possível afirmar que a atual crise política no Reino Unido agravou o cenário para a moeda britânica; no entanto, na minha visão, isso funciona mais como um catalisador do que como a causa principal. A crise atual não envolve renúncia de governo nem mudanças significativas na direção política ou econômica do país e, até agora, não produziu consequências econômicas relevantes. Por isso, considero que a fraqueza da libra está ligada principalmente ao fator geopolítico.
Dessa forma, a análise do EUR/USD já é suficiente para compreender o que os investidores podem esperar na próxima semana. Ainda assim, a libra conta com um "fator adicional" que talvez já esteja sendo precificado pelo mercado.
Na quarta-feira, 20 de maio, será divulgado o relatório de inflação do Reino Unido referente a abril, e sua importância pode surpreender os participantes do mercado e afetar diretamente a libra esterlina.
Ao contrário da percepção generalizada de que a inflação tende a subir na maioria dos países devido à crise energética e à alta dos preços do petróleo e do gás, a inflação britânica pode recuar para os "níveis pré-guerra". Economistas projetam uma desaceleração da inflação ao consumidor para 3%, patamar registrado em janeiro e fevereiro de 2026.
O motivo dessa desaceleração é menos importante. Ainda assim, acredito que o mercado possa já ter começado a precificar esse fator na semana passada.
Se a inflação no Reino Unido realmente não acelerar — conclusão que poderá ser confirmada pelos dados de abril — o Bank of England (BoE) poderá voltar a adotar uma postura monetária mais acomodatícia. Talvez não já durante o verão europeu, mas no segundo semestre de 2026, o BoE poderá promover mais um ou dois cortes de juros.
Enquanto isso, dirigentes do Banco Centrral Europeu (BOE) continuam sinalizando que os juros na Zona do Euro poderão subir já em junho, e o Federal Reserve dificilmente realizará sequer um corte até o fim do ano.
Isso significa que o Banco da Inglaterra poderá tornar-se o único banco central entre os três principais focado em flexibilização monetária, e não em aperto monetário. Esse é um fator que reduz a demanda pela libra esterlina — algo que o mercado provavelmente já começou a considerar.
Inflação, geopolítica e as políticas monetárias do FOMC e do BoE formam um conjunto consistente de argumentos para manter uma visão baixista sobre a libra. A contagem de ondas também aponta para a formação de uma estrutura baixista que poderá assumir um caráter impulsivo.
Cenário de onda para o EUR/USD:
Com base na análise do EUR/USD, concluo que o instrumento permanece dentro de um segmento ascendente da tendência (imagem inferior) e, no curto prazo, dentro de uma estrutura corretiva. A onda corretiva a-b-c parece estar concluída. Portanto, a onda 3 em C pode ter começado, com alvos que se estendem até a 14ª cifra. Se a contagem atual das ondas estiver correta, toda a onda C poderia completar sua estrutura em um nível muito abaixo da 14ª cifra. No entanto, tal cenário exigiria um forte apoio geopolítico.
Cenário de onda para o GBP/USD:
O quadro de ondas do par GBP/USD tornou-se mais claro com o passar do tempo. Agora é possível observar nos gráficos uma estrutura ascendente bem definida que já parece concluída. Dessa forma, espero a formação de uma sequência de ondas descendentes que poderá assumir um caráter impulsivo e coincidir com a estrutura impulsiva observada no EUR/USD.
Consequentemente, após uma queda de 300 pontos, é razoável esperar uma onda corretiva, seguida por um novo movimento de baixa em direção à faixa de 1,30–1,31. Anteriormente, alertei para uma nova queda da libra, mas esperava apenas um movimento corretivo. No entanto, a realidade do mercado sugere que esse movimento pode evoluir para uma estrutura impulsiva completa, considerando a força demonstrada pela primeira onda de baixa.
Princípios fundamentais da minha análise:
- As estruturas de ondas devem ser simples e claras. Estruturas complexas são difíceis de negociar e muitas vezes envolvem alterações.
- Se não houver certeza sobre o que está acontecendo no mercado, é melhor não entrar nele.
- Nunca pode haver 100% de certeza quanto à direção do mercado. Lembre-se de usar ordens de Stop Loss como proteção.
- A análise de ondas pode ser combinada com outras formas de análise e estratégias de negociação.